
Sobre algo muito bom, mas muito bom mesmo, não há o que se falar. Qualquer tentativa será em vão. “E como foi esse filme?”. “Nem te conto”. “Indescritível”. “Te falo nada”. Muito menos ingrato é dizer sobre alguma coisa mais ou menos, meia-boca. Não se corre o risco de ficar aquém, de errar na mira. Mais vale uma puta crítica de um livro mais ou menos que uma crítica mais ou menos de um puta livro.
Já que esse blog está fadado ao fracasso (triste sina, relatar grandes momentos), vamos logo ao assunto: a casa fora do eixo é um machado de assis, um clássico da literatura, a inveja de cervantes, tira essa mão do bolso do capote, fiodor dostoievski!
Nosso guitarrista moita mattos, que já não é mais tão jovem mas continua sábio, defende sempre a tese de que uma boa viagem começa no começo. Pode parecer óbvio, é mesmo, mas temos aqui grande sabedoria: dá pra sacar quando o circo vai pegar fogo antes de começar o espetáculo. É possível pressentir o cheiro do anjo (demônio?) do rock em suas rondas de aquecimento. Cuiabá, maio de 2007:o conde drácula sorri por trás da capa, fiodor dostoievski destila alguma inquietação em seus dedos aquecidos dentro do bolso do capote, a cidade amanhece - acabam de chegar os últimos porcas borboletas, via eucatur.
Por trás da capa do tempo, o-que-ainda-não-foi-mas-que-um-dia-terá-sido.
Rapunzel joga suas tranças. Didi Mocó diz abre-te cézamo. Moisés avalia ser possível a travessia do mar vermelho. O sultão adormece menino nos braços de Xerazade. Lázaro resuscita. Thunder thunder thunder cat ô! Ramones: one two three four.
A Casa Fora do Eixo vive disso. Da anunciação fatal, palavra virando ação, o verbo se fazendo carne de soja, comida quentinha da melhor servida de graça pro Brasil inteiro. A Casa Fora do Eixo é um laboratório, o pessoal do Espaço Cubo trabalha (e como trabalha) de jaleco. Tem tubos de ensaio (o cubo é mágico) de onde sai fumaça. Matéria da alquimia praticada lá é o Tempo. Por trás da capa do Espaço cubo, querem saber o que tem?
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Moita Mattos defende em alguma roda que o pau vai quebrar, que isso dá pra perceber quando se diz oi pra turma. Dizer oi para o pessoal do Cubo é coisa pra se esquecer jamais. Mergulhar em cada abraço, o deus que mora em mim saúda o deus que mora em ti, rever velhos amigos, onde fica mesmo o banheiro?, como é bom mijar feliz…
Depois, percorrer as salas do Espaço Cubo (que fica no centro, e que não é a Casa Fora do Eixo, onde rolam as festas, que fica em frente à UFMT). Não dá pra descrever o Cubo aqui, é uma coisa grande demais, mais vale acompanhar o blog: www.espacocubo.blogger.com.br.
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A noite é um bolso.
Enfiar as mãos.
Primeiro show da noite: Bucéfalos: o vocalista sabe que rock é matar ou morrer, toca com botas de pugilista, pratica abdmoninais antes do embate. Vence!
The Melt: fogo alto, fogo alto pra supitar panela. Supita!
Porcas Borboletas: puta que pariu, abre-te sésamo, vade retro, porra caráleo, quem for homi cospe aqui. Muita gente cantando TODAS as letras e riffs e ritmos da banda. A carta de Lembrancinha declamada por todo mundo. Momento absolutamente inesquecível, Porcas Borboletas é… antes/ depois Casa Fora do Eixo. (vale a pena conferir a cobertura do blog Hellcity, tá sensacional)
Lord Crossroad, Macaco Bong, tem q falar nada não. Quem for homi clica aqui.
Fomos de ônibus, voltamos voando, flanando, nas nuvens, dentro do busão da motta. Há muito tempo não rolava isso, voltarem todos os músicos do Porcas Borboletas no mesmo ônibus. Pessoal tá mais junto que nunca. Mas… e o sétimo porcas, o Talles Lopes?
O Talles não foi dessa vez. Ficou em Uberlândia, junto com nossa equipe, agindo por trás da capa do tempo, tramando a próxima cartada: a Noite Fora do Eixo, a ser realizada agora, dia 26.
Dentro desse bolso tem coelho, louco pra se multiplicar. Como convém a coelhos brancos de olhos vermelhos, tenho dito?