goiases

e o golzinho do enzo banzo ruma para o estado das mulheres bonitas. eu-danislau e ricardim vamos de ônibus. q maravilha, nada de ar condicionado. logo janelas abertas, logo a cara enfiada em goiás ao longo dos 350 km que separam nossa casa do martim cererê.

ricardim revê sua amada goiânia logo no fim de tarde. eu chego na rodoviária quase na hora do show, 11 da noite, a paola simpatia pura me leva direto pro bolshoi. nada de banhozim com elseve daloreal, cheguei no bar com aquele sebo de estrada, sabem qual é? ensebado, sujo, me senti confiante: rock n roll tem a ver com aquilo, não sei pq. entro no bar ao som de 90 milhões em ação, pra frente brazil, salve a seleção. de cara, vejo o rafa sozinho no meio da pista, pensando em português seus pensamentos alemães, corro para o abraço, não sem antes dar uma sambadinha - eu c mochila nas costas, o rafa com seu samba em alemão. aí foi sambinha c cada um dos meus comparsas, moita vi banzo ric chelo huds jao etc.

vai começar o show do chapéu, cerveja e frustrações, assistimos, rimos pra caralho, banda loca! hit deles diz: eu sou mais rock n roll q vc. pablo kossa no vocal, guerreiro da cena goiana, juntamente com o joão lucas, o johnny suxxx. pessoal da fósforo brincando com fogo.

chuva demais da conta sobre goiânia, o próprio huds dizendo q ele mesmo quase não foi. pouca gente no local. sala de aula em véspera de feriado. em se tratando de porcas borboletas, nada mais positivo. qto menos gente, melhor o nosso show. lembrando sempre da fórmula do rangel, eu quero é quem tá. o porcas sempre cagou e andou pra esse mito das grandes multidões. tem q pensar em quem veio, não em quem não veio.

o show de quinta se deu, por tudo isso, no plano individual. todo mundo se vendo, aquele olhar sorridente se cuzando com o olhar sorridente de outra pessoa. naturalmente, um círculo se formou, quase indistinção espacial entre banda e público. na verdade, todo mundo orbitando em torno dessa entidade que é o jão do dead smurfs, que, na vivência inteira de si mesmo, solto no espaço, olhos fechados o tempo todo, acabou ocupando ali mais ou menos o centro de tudo. o cara curtindo rock é acontecimento. o jão é a guitarra do jimi hendrix pegando fogo. é a jennie gritando run forrest gump. um cara de verdade comprovando pra quem quiser ver: o rock é de verdade. o mic na mão dele, cantou pele do asfalto inteira. a voz do jão tocando essa música - batismo de sangue!, para sempre e dignamente essa música vai existir.

depois de tudo, entrevista para um blog de goiânia (editores muito alto astral): os porcas e os smurfs em torno do mic, enqto alguém falava os outros entoando em coro o jesus cristo do roberto carlos, ou o we are the world permeado de gritos de guerra como: diretas já! PSDB! legalize marijuana! viva o PFL! abaixo o apartheid!

depois de tanta cachaça, o jão deu defeito. quem se lembra daquele filme um morto muito louco? ou do livro do jorge amado, a morte e a morte de quincas berro dágua? o morto era o jão. dirigiu dois quarteirões, foi destituído do cargo de motora. o carro virava pra cá, a cabeça do jão igual joão bobo virava pra lá. mesmo morto, conseguiu xingar um cara gente boa q tava dando uma explicação pra gente. o chelo, outra entidade, com aquele sorriso de aparelho de boca inteira, goiânia inteira não cabe no sorriso endiabrado do chelo. o hudson. dead smurfs é a maior banda do brazil, pq o dead smurfs não pára. o dead smurfs está na vida, não precisa dar play, show em período integral.

que seria dessa vida sem o axé da brodagem assim de tão alta estirpe? o rock hj em dia está fundado nisso, nesses momentos extremos em que a vida pulsa extrema.