Além do palco
O Guimarães Rosa recomendou a Deus que, se ele voltasse, que voltasse armado. Não há notícia de sua volta, mas o boêmio sabemos que à boemia voltou, armado de seu bom e velho violão. Arma branca, arma zen. Para onde vai o boêmio com esse diGiorgio nas costas e esse toc toc nos sapatos? Por enquanto, deixá-lo partir, pois é isso que ele quer, para voltar nosso olhar para essa figura exemplar, aparentemente secundária, de tão discreta, à porta de sua casa com seu sapatinho silencioso dando adeus ao homem que ama. Mesmo nos dias de máxima inspiração, em que seu violão soasse como um dilermando reis, que sua voz soasse como a de um nelson gonçalves, dificilmente o boêmio conseguiria superar a nobreza de sua patroa, exemplo máximo de tolerância, de saber-amar: amor de quem ama sobretudo a liberdade do outro.
Canta o boêmio, com sua voz de nelson gonçalves e seu violão dilermando:
Acontece
Que a mulher que floriu meus caminhos
De ternura, meiguice e carinho
Sendo a vida do meu coração
Compreendeu
Me abraçou e dizendo a sorrir
Meu amor você pode partir
Não esqueça o seu violão
Vais rever
Os seus rios, montes, cascatas
Vai sonhar em novas serenatas
E abraçar seus amigos leais
Vá embora
Pois me resta o consolo e a alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais