A importância de festar. Ou: A revolução pela balada

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Nas celebrações para Dionísio, como todos sabem, por enciclopédia ou por prática, o pau quebra. É a festa dos sentidos; beijação, churrasco mal-passado, sauna, piscina, todo mundo com toalhinha branca, beijação, sexo sem grilo. Uma festa pra baladeiro nenhum amarrar na vaquinha. E o melhor de tudo é que aquilo ainda tinha um sentido ritual na Grécia das antigas. Não era um sexo sem compromisso. Tudo corria em nome da busca da fertilidade. Fertilidade do chão, ranguinho abundando no terreno pedregoso da terra de Odisseu. Então nasce aquela imagem linda do gozo sobre a terra, do sêmen na pedra, dos corpos jazendo extenuados nesse espaço entre Gaia e Urano, Terra e Céu (esse ambiente de vida que aliás só foi possível depois da trepada federal entre tais deuses, a Deusa-Mãe e o Deus-Pai, cada um se virando para um lado da cama, no meio deles nós os homens os outros animais as plantinhas e as pedras sobre as quais gozar futuramente.)
Hoje é claro que o papo é outro. Não rola mais aquela ansiedade: será que o chuchu vai vingar? Tá tudo lá, no supermercado. O problema é ter ou não ter grana pra comprar o chuchu e o feijão. Vou consultar a Barsa pra ver pra qual deus eu rezo, modo de fazer brotar dindin dessa terra pedregosa que é a economia brasileira. Seja ou não seja outro deus, dinheiro não é tudo na vida. O papo por enquanto é outro. Fertilidade, e aquela fertilidade que não possa ser cifrada por $.
Porque fertilidade diz respeito a muitas outras coisas que não apenas chuchu e dindin. Fertilidade de idéias, por exemplo. De sentimentos. “Fertilidade” sugere coisa nova, elemento renovador da vida. Linda aquela canção católica, quem foi coroinha conhece: “Nem só de pão o homem viverá…”. Também essa outra, daquela banda que não gosta de padre, não gosta de madre, não gosta: “Você tem fome de quê?”
Disso tudo resulta linda a associação das festas dionisíacas modernas com a fertilidade de novas idéias, de novos sentimentos, novas visões de mundo – elementos renovadores desse mundo careta construído a partir dessa velha lógica patriarcal e capitalista vai tomar no cu caralho.
Donde a importância de festar. Todo mundo junto amigo sorrindo. A lógica e a ética da noite, tão diferentes da lógica e ética do dia. O tempo e o espaço da noite, tão outros. O livre vaivém. A hora e a vez do cabelo crescer. O extra-ordinário. O corpo liberto das convenções, dando pala, rastando o joelho no chão, dançando, iansã, dansar. A hora e a vez de tirar a camisa e gritar utererê. Paquerar, beijar na boca, namorar. Proibido proibir. Festar é saúde pura, principalmente para quem festa bem. Dionísio nunca se contentou com happy hour. E distraídos venceremos.

(foto: calourada da UFU, show do Dead Smurfs)

2 respostas para “ A importância de festar. Ou: A revolução pela balada ”

  1. hudz disse:

    se vcs prestarem atenção, logo ali, sobre o ombro direito de alisson, está danislau também, olhos brilhantes, cheios de música. elétrico, imerso na saturnal satânica que foi essa festa aí. garrafa quebrando, cadera voando e minino chorando. lindo.

    festar é ir com a correnteza. to go with the flow.

  2. banzo disse:

    dio
    night
    noite
    dia
    nisso